ela me ouviu e já foi sacando a agenda. assim que eu terminei ela levantou o dedinho japonês e disse: 'eu vou.' tudo muito simples. muito sóbrio. muito akemi.
fazendo eco, a outra colocou as mãos espalmadas sobre a mesa e gritou: "eu tambéééééééééém." tudo muito histérico. muito ébrio. muito deGóes.
já ele leu no e-mail, esperou o fim do primeiro tempo e mandou do celular: "cara! quando vc vai? até quando?". tudo muito animado. muito indeciso. muito marcito.
hoje a gente se reúne lá em casa pra definir o caminho das águas.
e seja o que deus quiser.
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terça-feira, 29 de junho de 2010
sexta-feira, 25 de junho de 2010
ila
"Corre pra varanda e vem cá ver que as minhas borboletas se espalharam todas, num degradê."
ela é novinha em folha.
e canalizou a adolescência em escritos de gente grande.
tem mais dela aqui, ó: www.full-timejob.blogspot.com
ela é novinha em folha.
e canalizou a adolescência em escritos de gente grande.
tem mais dela aqui, ó: www.full-timejob.blogspot.com
domingo, 9 de maio de 2010
maezinha querida
Quero deixar aqui, nestas poucas palavras, que vou dizendo ao deus-dará da emoção, um grande abraço, estremecido em soluços. E um beijo, mãezinha, um beijo molhado de lágrimas.
Como lhe devo, e quanto, minha mãe...
Devo-lhe tudo, a começar pela vida.
Por muitos meses, vivi no seu ventre, aquecido ao calor do seu corpo. O meu sangue era o seu sangue; alimentei-me do seu pão de cada dia, que era o meu pão, também. E o ar que você respirava, é que conduzia oxigênio e vida ao inconsciente e tranquilo explorador de sua vitalidade, que era eu.
Quando nasci, ficamos ainda por alguns instantes ligados um ao outro... Foi quando mãos estranhas nos separaram, partindo, cortando o último laço que fazia de nossas vidas uma vida.
Creio que os recém-nascidos choram porque sentem a mágoa dessa separação. Mas nem por isso nos afastamos um do outro; seu sangue generoso se transmudou na brancura do leite e eu continuei vivendo dele e de você, mãezinha.
E vieram, depois, as noites de vigília e os dias de angústia, em que você aplicava sobre minha fronte os seus lábios temerosos de encontrar a ameaça da morte no sintoma da febre. Mais tarde aprendi com você as primeiras palavras e a orar a primeira oração balbuciada. Nossa grande separação aconteceu quando você me vestiu a roupinha nova de colegial, lembra-se? E cruzou sobre o meu peito, com emocionado carinho, a correia da malinha dos livros escolares...
Eu ia enfrentar o mundo, com lágrimas nos olhos, porque, pela primeira vez, estava sozinho, sem você, longe de você - longe da senhora, mãezinha. Mas sua imagem, sua voz, a larga sombra protetora de suas asas de anjo tutelar seguiram comigo e, até hoje, me acompanham pela vida afora.
Como e quanto lhe devo, minha mãe.
Homens? Quem são eles, diante da simplicidade grandiosa e divina das mulheres mães? Creio que os homens só não são completamente maus porque nasceram todos de um ventre de mulher.E é você, mãezinha, a senhora, essa mulher, que adoramos sempre...É você, é a senhora - não sei que tratamento lhe dar. Creio que lhe seria justo. Creio que não ofenderia nem de leve a doce Mãe de Jesus, se eu lhe dissesse, agora, falando baixinho:
“Minha mãe, bendita sois vós entre as mulheres...”
(autor desconhecido)
Como lhe devo, e quanto, minha mãe...
Devo-lhe tudo, a começar pela vida.
Por muitos meses, vivi no seu ventre, aquecido ao calor do seu corpo. O meu sangue era o seu sangue; alimentei-me do seu pão de cada dia, que era o meu pão, também. E o ar que você respirava, é que conduzia oxigênio e vida ao inconsciente e tranquilo explorador de sua vitalidade, que era eu.
Quando nasci, ficamos ainda por alguns instantes ligados um ao outro... Foi quando mãos estranhas nos separaram, partindo, cortando o último laço que fazia de nossas vidas uma vida.
Creio que os recém-nascidos choram porque sentem a mágoa dessa separação. Mas nem por isso nos afastamos um do outro; seu sangue generoso se transmudou na brancura do leite e eu continuei vivendo dele e de você, mãezinha.
E vieram, depois, as noites de vigília e os dias de angústia, em que você aplicava sobre minha fronte os seus lábios temerosos de encontrar a ameaça da morte no sintoma da febre. Mais tarde aprendi com você as primeiras palavras e a orar a primeira oração balbuciada. Nossa grande separação aconteceu quando você me vestiu a roupinha nova de colegial, lembra-se? E cruzou sobre o meu peito, com emocionado carinho, a correia da malinha dos livros escolares...
Eu ia enfrentar o mundo, com lágrimas nos olhos, porque, pela primeira vez, estava sozinho, sem você, longe de você - longe da senhora, mãezinha. Mas sua imagem, sua voz, a larga sombra protetora de suas asas de anjo tutelar seguiram comigo e, até hoje, me acompanham pela vida afora.
Como e quanto lhe devo, minha mãe.
Homens? Quem são eles, diante da simplicidade grandiosa e divina das mulheres mães? Creio que os homens só não são completamente maus porque nasceram todos de um ventre de mulher.E é você, mãezinha, a senhora, essa mulher, que adoramos sempre...É você, é a senhora - não sei que tratamento lhe dar. Creio que lhe seria justo. Creio que não ofenderia nem de leve a doce Mãe de Jesus, se eu lhe dissesse, agora, falando baixinho:
“Minha mãe, bendita sois vós entre as mulheres...”
(autor desconhecido)
sexta-feira, 23 de abril de 2010
sil
quando uma parte da minha vida ruiu, ela logo correu pra me sustentar. Foi colocando trabalho atrás de trabalho, artigos, apresentação, treinamento, avaliação, leitura, indicadores onde eu precisava de calço. A pergunta mais comum dela ainda é: "como assim não tem tempo? vai fazer o que?" e lá vem ela junto preenchendo todo silêncio com matemática. no bar. na madrugada. no parque. no café da manhã. na minha sala de aula. no msn. por sms. e-mail. ela é quase um chaveirinho que eu tenho carregado por aí. as vezes a gente briga feio, mas ela sempre grita mais alto. e eu enfio o rabo entre as pernas e obedeço.
hoje eu tenho flores pra ela pq a paga veio: em 1 ano, ela me transformou em professora de matemática. em pesquisadora também. e agora, por causa dela, pedagogos e matemáticos do país todo querem ouvir o que eu tenho pra dizer.
obrigada, sil :)
hoje eu tenho flores pra ela pq a paga veio: em 1 ano, ela me transformou em professora de matemática. em pesquisadora também. e agora, por causa dela, pedagogos e matemáticos do país todo querem ouvir o que eu tenho pra dizer.
obrigada, sil :)
domingo, 18 de abril de 2010
macio
me envia o teu endereço
e vejo que nada aprendeu
querido, já não mais se lembra
de como estar junto doeu?
se sofre de vontade minha
me deixe ajudar tua memória
quando longe, nos amamos
mas juntos viramos história
eu sei bem do seu carinho
já você desconhece o meu
não sou mulher de amizade
com homem que me perdeu
se eu sentir o teu afago
vou querer te seduzir
mas, poeta, rima torta
não convém se repetir
deletei o seu convite
mas, obrigada, meu parceiro!
saiba que deixo uma cópia
embaixo do meu travesseiro
e vejo que nada aprendeu
querido, já não mais se lembra
de como estar junto doeu?
se sofre de vontade minha
me deixe ajudar tua memória
quando longe, nos amamos
mas juntos viramos história
eu sei bem do seu carinho
já você desconhece o meu
não sou mulher de amizade
com homem que me perdeu
se eu sentir o teu afago
vou querer te seduzir
mas, poeta, rima torta
não convém se repetir
deletei o seu convite
mas, obrigada, meu parceiro!
saiba que deixo uma cópia
embaixo do meu travesseiro
terça-feira, 13 de abril de 2010
vina
" ...e eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!"
esse tal de vinícius...
ai ai ai...!
esse tal de vinícius...
ai ai ai...!
domingo, 7 de março de 2010
fim
Momentos assim são especiais, aproveite.
Sue a dor e perca o fôlego.
Arrependa-se e depois perdoe-se.
Aprenda e não mais repita.
Mude o foco e aguarde.
Assim, finalmente, você vai achar alguém disposto a ficar do seu lado e a lutar contigo todas as batalhas, inclusive as só suas.
Quando o vento sopra forte assim,
só te restam suas raízes.
E é a partir delas que você vai recomeçar: Fernanda, Aninha, Lu, Johannes, Carol, Silvana, Mia, Andrea, Ju e Amélia. Obrigada por armar um cerco ao meu redor com bom humor e carinho, intransponível ao desespero, sem que eu precisasse pedir.
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
rusticity shows me the path
orelhinhas de coelho
um quarto cheio de espelhos
um shortinho de can-can
taças de vinho tinto
uma pluma, uma venda, um cinto
um gelado talismã
e eu coberta em arrepios
implorando calafrios
que alimentem meus tremores
sabia não haver concorrência
pra minha gostosa indecência
de tantos cheiros e sabores
mas logo ali minha vizinha
explicava em algumas linhas
como ela chega ao orgasmo
lançou mão de sinestesia
ventre, língua, aromas, magia
rédeas, égua, firmeza e espasmo
e eu me vi lendo sua psicodelia
com uma certeza que então, me surgia
e com sentimentos amedrontadores!
pois soube não haver concorrência
pra sua gostosa indecência
que goza profusão de cores!
um quarto cheio de espelhos
um shortinho de can-can
taças de vinho tinto
uma pluma, uma venda, um cinto
um gelado talismã
e eu coberta em arrepios
implorando calafrios
que alimentem meus tremores
sabia não haver concorrência
pra minha gostosa indecência
de tantos cheiros e sabores
mas logo ali minha vizinha
explicava em algumas linhas
como ela chega ao orgasmo
lançou mão de sinestesia
ventre, língua, aromas, magia
rédeas, égua, firmeza e espasmo
e eu me vi lendo sua psicodelia
com uma certeza que então, me surgia
e com sentimentos amedrontadores!
pois soube não haver concorrência
pra sua gostosa indecência
que goza profusão de cores!
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
mosaico

a gente bebe
a gente escreve
antes tudo fosse vento
preenchendo o meu peito
do que esse enorme vácuo
preenchendo tudo em preto
o vento é algo, pelo menos
o menos é mais que nada
à esquerda do zero, entendemos
a lógica humana, errada.
foda-se tudo, digo eu
a dor é minha, o peito meu
nosso futuro é deus dará
pra frente ando e assim será
obstáculos, pularei
me farão cair, tropeçar
e me ver no chão, eu sei
mas o futuro é ao deus dará.
sábado, 19 de julho de 2008
sua casa
me chama pra sua casa
me mostra a estante de livros
me dá uma taça de vinho
enquanto eu escolho o que quero ouvir
me deixa ajudar com as panelas
me passa o café mais fresquinho
me traz um cinzeiro e senta ao meu lado
que eu vou embora antes do sol partir
me fala das suas plantas
me mostra as fotografias
me pede pra tocar aquela música
que sempre que eu canto, te faço sorrir
me pede sigilo de tudo
me dá um abraço apertado
me encanta com tua amizade
no cotidiano do seu ir e vir.
me mostra a estante de livros
me dá uma taça de vinho
enquanto eu escolho o que quero ouvir
me deixa ajudar com as panelas
me passa o café mais fresquinho
me traz um cinzeiro e senta ao meu lado
que eu vou embora antes do sol partir
me fala das suas plantas
me mostra as fotografias
me pede pra tocar aquela música
que sempre que eu canto, te faço sorrir
me pede sigilo de tudo
me dá um abraço apertado
me encanta com tua amizade
no cotidiano do seu ir e vir.
quinta-feira, 10 de julho de 2008
terça-feira, 8 de julho de 2008
sexta-feira, 4 de julho de 2008
intervalos
ela costurava os botões na manta
eu remendava o esmalte vermelho
ela falava da avó que era Santa
eu maquiava o rosto do espelho
ele chegava manso e calado
com um jeito de quem não quer nada
nas mãos, o rosto cansado
sorria e observava.
ela assoprava o assobio prateado
eu abraçava o violão de madeira
ela lavava a dor com o flauteado
eu me deixava lavar por inteira
ele chegava manso e calado
com um jeito de quem não quer nada
nas mãos, o rosto molhado
sorria e só chorava.
eu remendava o esmalte vermelho
ela falava da avó que era Santa
eu maquiava o rosto do espelho
ele chegava manso e calado
com um jeito de quem não quer nada
nas mãos, o rosto cansado
sorria e observava.
ela assoprava o assobio prateado
eu abraçava o violão de madeira
ela lavava a dor com o flauteado
eu me deixava lavar por inteira
ele chegava manso e calado
com um jeito de quem não quer nada
nas mãos, o rosto molhado
sorria e só chorava.
entenda, meu bem, que eu não quero briga
tua amizade é o que mais prezo na vida
por ti lutaria com facas e dentes
um amor cego, selvagem e até indecente
se te fazem mal é pra mim a ofensa
pois te amo assim, destemida e intensa
tua amizade é o que mais prezo na vida
por ti lutaria com facas e dentes
um amor cego, selvagem e até indecente
se te fazem mal é pra mim a ofensa
pois te amo assim, destemida e intensa
mas entenda, meu bem, que serei tão constante
se do meu coração você cuidar vigilante
se uma farpa sequer tu, em mim, penetrar
do amor que eu te tive não se lembrará
serei garras e ódios e gritos carmim
te arrancando em chamas de dentro de mim.
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