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quinta-feira, 9 de abril de 2009

morte

as correntes do balanço
choram o seu adeus ao vento
agora cessou o canto
acabou o movimento

não ecoam mais risadas
no jardim tão desbotado
o vazio tapa o sol
o azul do céu se faz nublado

o silêncio tomba à terra
calando toda dança
a morte somente é
a ausência da criança.

segunda-feira, 30 de março de 2009

desconjuro

você está perdoado
mas aqui não pode ficar
esta não é a tua morada
você não pode entrar

com louvor, fé e incenso
imponho minha benzeção
dê-me armas, meu São Jorge!
Minha Mãe, tua proteção!

vá de retro! desconjuro!
eu comigo tenho os meus
deixa agora essa casa
governada por meu Deus!

sábado, 9 de agosto de 2008

tem gente que nunca se emenda
e com ele está sendo assim
ele vai atrapalhar tudo
até o fim.

estragou a nossa infância
agora vivemos sem paz
e hoje no leito de morte
quer estragar o dia dos pais.

tem gente que nunca se emenda
e com ele está sendo assim
ele vai atrapalhar tudo
até o fim.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

o que fazer, pra onde ir
se meu próprio sangue me envenena
como esquecer todas as lembranças
que eu não tenho de quando pequena?

sexta-feira, 4 de julho de 2008

enquanto lá fora soa o vento,
relampeja, faz-se o breu
aqui dentro em meio a lágrimas
ninguém chove mais que eu.
talvez envelhecer seja constatar em definitivo
que já não mais se é capaz de parir
em maior quantidade
do que aquilo que se enterra.
(é do ramon. e eu amo)

terapia

desculpe a interrupção, mas seu tempo acabou.
agora eu sou toda ouvidos
boca
mãos
pernas
e pele
para um outro alguém.